Mostrando postagens com marcador festival porto alegre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador festival porto alegre. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

2ª edição do festival Kino Beat

A segunda edição do Kino Beat aconteceu entre os dias 6 e 9 de agosto, no Teatro do Sesc Centro e no Multipalco Theatro São Pedro. O festival de música e performances audiovisuais multimídia tem a curadoria e idealização do DJ e produtor cultural Gabriel Cevallos, sendo um dos poucos no Brasil que se dedica a inovações artísticas experimentais no campo sonoro e visual. Comparado à edição de 2014, a segunda edição do Festival teve o dobro de dias e três vezes mais atrações: dez, entre nacionais e internacionais, sendo todas inéditas em Porto Alegre. 

Teatro do Sesc Centro - entre 6 e 8 de agosto

A primeira noite do Festival, no dia 6 de agosto, contou com Giuliano Obici e sua performance Laptop Coral, e com Castanha Remix, performance criada a partir do filme “Castanha” de Davi Pretto. Duas atrações distintas entre si, mas que se uniram no sentindo de apresentar ao vivo experimentos de som e imagem. 
A performance do Laptop Coral abriu a noite. Com 12 laptops no palco, as máquinas não só representavam pessoas, mas assumiam sua própria “humanidade” no momento que estabeleceram uma comunicação ruídosa, intercalada com silêncios, cores e códigos, entre elas e com o público. Giuliano não fez as máquinas cantarem como a maioria do público poderia esperar de um coral convencional: ele foi além e fez pulsar um coração em 12 laptops. 

 

Castanha Remix, feita especialmente para o Festival, foi gerida durante três meses por Gabriel Cevallos e Tomaz Klotzel. A performance desconstruiu o filme “Castanha”, de Davi Pretto, criando uma nova narrativa. O ator João Carlos Castanha interpretou partes do filme e improvisou textos de sua autoria. O palco foi transformado em um camarim, onde Castanha se preparava para seu número de dublagem. Enquanto isso, o artista multimídia Klotzel editava e projetava partes do filme e, com uma câmera, captava em tempo real as expressões de Castanha e as ampliava na tela. A performance se revelou uma peça de teatro multimídia melodramática, como o bolero de Tânia Alves que o artista dublou. A performance abordou a relação de Castanha com a mãe, com a morte e seus amores, sempre com seu habitual escracho, pelo qual é conhecido. A tecnologia foi a liga discreta e eficiente que conduziu esse experimento de dar vida, no palco, a um filme, criando uma nova história.

 
 

O músico gaúcho Pedro Dom, acompanhado de uma banda completa no palco, abriu a segunda noite do Kino Beat com o show de lançamento do seu primeiro disco solo. Foi a apresentação musical mais orgânica do Festival: durante uma hora, Dom fez um passeio jazzístico suave e harmônico - na sua maioria instrumental - mas com participações de dois MC's e dois cantores. Mesclou com maestria sua verve acadêmica e sua vivência de rua. Trouxe para o Festival um sentido enorme de amplitude na programação, do tamanho do seu talento.

 

Fechando a segunda noite, o artista multimídia Henrique Roscoe, também conhecido como HOL, apresentou Synap.sys, a apresentação mais densa do Festival. Um completo espetáculo audiovisual, repleto de metáforas e significados subjetivos. HOL controlava, em tempo real, som, imagem e lasers, com destaque para a guitarra midi, construída pelo próprio - com design que remetia visualmente às conexões das sinapses, que dá nome a performance. Alternando batidas retas e quebradas, atmosferas, ruídos e texturas eletrônicas, com o som futurista da guitarra e as imagens fractais, super 8 e outros grafismos, a apresentação foi uma viagem profunda nas emoções do artista mineiro.

 

A terceira e última noite do Festival no Teatro do Sesc começou com a estreia de Valmor Pedretti e Carlos Ferreira, com The Rise and Fall of Ice-Pick Lobotomy. A dupla gaúcha fez uma apresentação contemplativa e instigante: ambos tocaram guitarra, disparando samples e loops, gravando ao vivo ruídos de chaves, latas e frequências de rádio. Criaram uma aura de concerto contemporâneo no teatro, evocando o espírito de John Cage a cada som e silêncio da performance.


O alemão Frank Bretschneider, lenda da música e arte experimental, foi a última atração do Festival no Teatro do Sesc, com uma apresentação audiovisual viceral e pontente. Como um cirurgião, operou com precisão a construção de um espetáculo em que som e imagem tinham total sincronia. A parte musical dominada por interpretações próprias da música urbana global, como funk, hiphop, industrial e techno, saiam retorcidas e com um grave potente das caixas de som. Quando somadas às variações geométricas de círculos e quadrados em centenas de padrões, criaram uma viagem sinestésica eletrônica, digna de um mestre.
 

Multipalco do Theatro São Pedro - 9 de agosto


O último dia do evento aconteceu no Multipalco do Theatro São Pedro, a céu aberto. A ideia era levar para a rua um espectro amplo da produção eletrônica dançante. O DJ gaúcho Castelan, que passeou por Future Beats, house e downtempo, abriu a festa de encerramento do Festival. Logo após o francês High Wolf, que se apresentava pela primeira vez no Brasil, fez a apresentação mais inusitada do dia. Destilou padrões rítmicos complexos e sincopados e, acompanhado de sua guitarra melódica, criou um pequeno ritual afro-asiático na pista.

 

O sueco Baba Stiltz, também pisando pela primeira vez em terras brasileiras, animou a pista com uma mistura de batidas 4x4 cruas e gordas, hipnóticas e minimalistas, e outras festivas e expansivas. Todas pulsavam dos seus discos de vinil e balançavam junto com seus cabelos longos, em uma performance de palco que também fez parte do show. 

A última atração do festival foi o mineiro Zopelar. Cheio de equipamentos no palco, fez uma apresentação ao vivo de techno, uma das principais apresentações live do país. Energético, melódico, atemporal e orgulho nacional, fechou a segunda edição do Festival Kino Beat.


O 2º Festival Kino Beat foi uma realização do Sesc RS em parceria com o Kino Beat
Tudo isso não aconteceria sem nossos apoiadores:
Consulado Geral da França, 
Pejole

Ano que vem tem mais.

sábado, 26 de abril de 2014

É HOJE - ESTREIA FESTIVAL KINO BEAT

A partir das 19h de hoje, o Festival Kino Beat tem a sua estreia oficial. No palco, Diego Abelardo, de Porto Alegre, apresentando a sua Agnostic Orchestra, seguido de Matheus Leston e a sua Orquestra Vermelha.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

PRIMEIRA EDIÇÃO DO FESTIVAL KINO BEAT ESTREIA AMANHÃ

Ilustração de Diego Abelardo, uma das atrações da primeira noite do Festival
Neste sábado, dia 26, estreia a primeira edição do Festival Kino Beat.

A partir das 18h, o DJ Landosystem faz o Warm Up no Café Sesc. Após, Diego Abelardo apresenta a sua Agnostic Orchestra, seguido da Orquestra Vermelha de Matheus Leston.

Para conferir informações sobre ingresso e sobre as atrações, clique aqui.

sábado, 19 de abril de 2014

COMO RETIRAR O SEU INGRESSO PARA A PRIMEIRA EDIÇÃO DO KINO BEAT

Se você já está se preparando para o Kino Beat, fique de olho em como retirar o seu ingresso! Não esqueça que eles serão distribuídos gratuitamente, do dia 22 a 25 de abril somente para comerciários, na bilheteria do Teatro do SESC (Avenida Alberto Bins, 665 – Centro). Para o público geral, eles estarão disponíveis nos dias do evento, 1h antes das apresentações.

 Lotação: 250 pessoas.

 Sábado, dia 26 de abril
A partir das 18h, o Café SESC abre para um warm-up com o DJ Landosystem.

 Domingo, dia 27 de abril
A partir das 17h o Café Sesc abre, dessa vez para um warm-up com o DJ Kahara.

 Nos vemos por lá?

quinta-feira, 17 de abril de 2014

WARM UP: 5 TRABALHOS QUE VOCÊ VAI VER E OUVIR NO FESTIVAL KINO BEAT

A primeira edição do Festival Kino Beat acontece nos dias 26 e 27 de abril, no Teatro do SESC, em Porto Alegre. É um evento de música contemporânea e performances audiovisuais multimídia.

O que você vai ouvir por lá? Para os curiosos, aqui vai um aquecimento com as atrações. Depois é só curtir ao vivo:

 Orquestra Vermelha, de Matheus Leston. Veja o making of com Eddu Ferreira e Gustavo Boni

 Fernando Velázquez com o projeto Mindscapes

 O duo carioca Opala Para baixar o EP completo, clique aqui. (é de graça)

 Diego Abelardo apresenta Agnostic Orchestra Vol. 1 - Fragmentos do 8:

segunda-feira, 14 de abril de 2014

TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O KINO BEAT

Se você já está se preparando para a primeira edição do Festival Kino Beat, algumas informações podem ser úteis. Confira alguns detalhes pra você ficar por dentro:

Quando acontece? 
O Kino Beat acontece nos dias 26 (sábado) e 27 (domingo) de abril de 2014. No primeiro dia, a abertura do Teatro é a partir das 19h, com distribuição de ingressos uma hora antes. Já no domingo, a função acontece um pouquinho mais cedo, abrindo para os ingressos as 17h, e para as atrações às 18h.

Onde? 
O Kino rola no Teatro do SESC (Avenida Alberto Bins, 665 – Centro).

Quanto? 
Totalmente gratuito!

Como eu retiro meu ingresso? 
Os ingressos serão distribuídos gratuitamente, de 22 a 25 de abril retirada somente para comerciários. Público em geral 1 hora antes das apresentações na bilheteria do Teatro do SESC (Avenida Alberto Bins, 665 – Centro).  Telefones: (51) 3284-2070 (51) 3284-2007
 
Quem vai tocar? 
No sábado quem sobe ao palco do Teatro é Diego Abelardo e a sua Agnostic Orchestra, seguido da Orquestra Vermelha. Já no domingo, o som fica por conta do duo Opala e de Fernando Velázquez.

domingo, 13 de abril de 2014

JADE GOLA FALA SOBRE AS NUANCES DA ME E O JORNALISMO ESPECIALIZADO

“É curioso como música eletrônica é um termo gigantemente vago, mas ao mesmo tempo ainda é um "guarda-chuva", um nome de gênero que significa algo bem específico.” Conversamos com o jornalista de ME, Jade Gola – curador do portal deepbeep, principal veículo sobre música eletrônica no Brasil, para saber mais sobre as nuances do gênero e entender que existe jornalismo especializado no assunto. 

ME é mutável

A liberdade de experimentação que a música eletrônica carrega é invejável. Não há barreiras criativas e por este motivo é um som que se transforma constantemente. Gola explica: “A eletrônica pode ser abstrata tanto nas suas estéticas quanto na sua recepção pelos espectadores e pela mídia. A música eletrônica é um dos maiores gêneros musicais de potencial instrumental que já existiram - acho que vejo similaridade nisso só com o jazz. Então é um som pronto para ser mutável tanto nas suas formas quanto nas suas concepções.“

ME no jornalismo

E quando o assunto puxa para o lado jornalístico é preciso tanto entusiasmo quanto qualquer artista para mergulhar neste universo: “Ser jornalista de música eletrônica é muito interessante, é relatar um universo que se vive por aptidão, então é natural que haja muita paixão. E ser criativo na abordagem, na difícil arte (sim, é uma arte)  de descrever sons e explicar a diferença entre uma faixa de house e outra, entre o que um DJ toca e o que ele diz tocar - muitas vezes algo que os artistas odeiam que se faça.“ Aliás, você já pensou em seguir uma carreira por esse lado? Aqui vai uma dica: “Hoje em dia cada um é jornalista de si mesmo e posta suas coisas e músicas no Facebook, com leitores. Se você for óbvio, não vai sair do zero“, comenta.

“Acredito que a Internet matou a importância da "grande imprensa" na divulgação de uma música tão carregada de intencionalidade pioneira, vanguardista. Hoje em dia você vai descobrir coisas muito mais legais onde? Na web ou na "Ilustrada" da Folha? Na web, lógico.“

ME atual

E atualmente, o que está em alta no gênero? “A rinse.fm hoje é propulsora de boa house music. Você pode inventar firulas, você pode cunhar novos tipos de som, mas uma hora não tem como você fugir das estruturas essenciais da house, o maior canône da eletrônica.“ Ao mesmo tempo que o gênero se transforma, a cobiça por alcançar o topo das paradas é constante. Mas isso não quer dizer que Gola concorde: “Espero que as sonoridades e as cenas mais criativas não mirem o mainstream, e sim que continuem pensando na força e criatividade de sua musicalidade, porque o que importa no final é se a música é boa ou não.“ Nós assentimos. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

AS INFLUÊNCIAS POR TRÁS DAS ATRAÇÕES DO KINO

Todo  artista tem referências e para entender melhor o trabalho de cada um deles é importante saber quais são elas. Nossas atrações separaram alguns projetos que inspiram.

 Espia aqui:

 Fernando Velazquez indica o Labmóvel. Uma Kombi que se transforma, literalmente, em ateliê, cinema e auditório. O projeto paulista cria espaços temporários e móveis de arte. Para saber mais, aqui.

Diego Abelardo, do projeto Agnostic Orchestra: “O álbum Coisas, do maestro Moacir Santos, onde cada música leva o título de Coisa, com seu respectivo número, foi a inspiração principal para eu organizar o projeto em Fragmentos. Musicalmente passo longe da concepção do maestro, mas vejo a inspiração para além de uma fidelidade musical“, comenta em entrevista para o blog.

O japonês Ryoichi Kurokawa está entre as influências visuais e sonoras de Matheus Leston. Ao lado de Kraftwerk, Meredith Monk, Residents, Alva Noto, Ryoji Ikeda, Battles e Radiohead.

E quando se trata de música, Leston escolhe a dedo: “One Thousand Sleepless Nights (CESRV), No Better Time Than Now (Shigeto), Hesitation Marks (Nine Inch Nails), Connected (Eivind Aarset), Still Smiling (Teho Teardo & Blixa Bargeld), Mono (Pulselooper), Spaces (Nils Frahm)".

quinta-feira, 10 de abril de 2014

DENTRO DA CABEÇA DE FERNANDO VELÁZQUEZ





















Se você pudesse dar forma para um impulso nervoso, como ele seria? Com o projeto Mindscapes, Fernando Velázquez expõe sua percepção e interpretação de mundo, guiado pelo trabalho do neurologista e escritor anglo-americano Oliver Sacks.

“Nesta série me interessa traçar analogias entre o comportamento do cérebro e a estética. Não há um interesse literal em traduzir um no outro“, explica Velázquez em entrevista ao blog.

Para compreender um pouquinho mais do que se passa na cabeça do artista, confira os vídeos abaixo:


from the mindscapes series, untitled #3 from Fernando Velazquez on Vimeo.



from the mindscapes series, untitled #04 from Fernando Velazquez on Vimeo.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O QUE ACONTECE POR TRÁS DO PROJETO ORQUESTRA VERMELHA

O projeto Orquestra Vermelha, de Matheus Leston, recria um show ao vivo, no palco, apenas com gravações de som e imagem. Os instrumentos, luzes e figuras são controlados em tempo real e Leston é o único membro de uma banda completa.
Os músicos Eddu Ferreira, Gustavo Boni, Mauricio Fernandes, Paulo Braga, Richard Fermino e Sam Tiago tiveram suas participações gravadas em estúdio. Cada um ganhou a liberdade para criar e mesmo sem se conhecerem, tocam todos juntos.

Para entender melhor, veja como foi o processo no estúdio. O projeto convida o público a se questionar sobre o que é realmente música ao vivo. Vem ver:



quinta-feira, 3 de abril de 2014

DO RUÍDO (NOISE) À MÚSICA ELETRÔNICA ATUAL


A música como conhecemos é um privilégio dos dias atuais. Nossos ouvidos podem reconhecer milhares de sons diferentes e combiná-los de forma harmônica. A variedade de sonoridades aumentou gradativamente com a industrialização – e o mundo nem sempre foi um lugar tão barulhento. 

L'arte dei rumori (A Arte dos Ruídos) foi escrito por Luigi Russolo, em 1913, e fala exatamente sobre isso. De acordo com o italiano, os primeiros ruídos surgiram no século XIX, com o surgimento da máquinas industriais. Antes disso, o mundo era quieto – não silencioso. O som que pontuava a terra vinha de atividades naturais como a chuva e cachoeiras, mas não era prolongado, constante ou variado. 
Russolo atribui a evolução musical à multiplicação de máquinas. A música caminha para uma polifonia mais complicada à medida que a variedade de timbres e tons crescem – o que encorajava os músicos à criação. 

Artistas experimentais como John Cage e Pierre Henry consideram Russolo o precursor da música eletrônica contemporânea. E para provar sua própria teoria, Russolo construiu os instrumentos para a sua orquestra, Intonarumori.

A partir do estudo A Arte do Ruídos, a música passou a ser vista e pensada de maneira diferente. Russolo sugeriu que o homem moderno tem grande capacidade de apreciar sons mais complexos. E ele estava certo. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

AS PERFORMANCES AO VIVO NO FESTIVAL KINO BEAT

Uma das propostas do Kino Beat é desmistificar a ideia da Música Eletrônica como uma “música de festa”, “música para se ouvir em festa”. Todas as apresentações do Festival acontecem no Teatro do SESC, onde o público pode curtir as atrações no conforto de um teatro, trazendo assim uma proposta poucas vezes vista na cidade.

Além disso, é importante ressaltar o quanto o fato das performances serem ao vivo influenciam no resultado final dos concertos. Influências de público e do ambiente transformam a apresentação em um momento único, ímpar.

Um dos grandes exemplos dessa ideia é Fernando Velázquez. Usando algoritmos generativos e técnicas de improvisação audiovisual em tempo real, ele cria a sua performance do projeto Mindscapes. A ideia é especular sobre tudo o que influencia no modo em como vemos o mundo, construímos o conhecimento e articulamos memórias.

Para entender melhor, dá só uma olhada no vídeo:

Festival Multiplicidade_02_2013 from Festival Multiplicidade on Vimeo.

Matheus Leston, da Orquestra Vermelha, acredita que  “algumas variações e decisões são feitas ao vivo e podem mudar a cada apresentação”. Ele ainda lembra que o seu show possui sim uma estrutura pré-concebida, já que “existe uma progressão, uma espécie de história que é contada, musical e visual”, afirma.

Por outro lado, Leston ainda lembra que a abertura para a improvisação e inspirações ao vivo pode parecer um tanto engessada, uma vez que a sua interação é feita com imagens já previamente editadas. Mas na hora da sua composição, ela teve um papel fundamental: “Os músicos, quando foram gravar suas participações, tocaram livremente, improvisando sobre as bases que eu havia criado. Essas gravações depois foram editadas. Ou seja, há uma inversão, pois há improviso, mas não é ao vivo”, lembra.

Outro ponto trazido pelo curador do Festival, Gabriel Cevallos, é o fato de que ao vivo (e sentado) a imersão do público é maior. “Pelo conforto de se estar sentando, a concentração e foco nos detalhes é diferente, é mais cerebral do que visceral, tem menos dispersão do que se fosse em uma festa”, lembra. “É um momento que pode-se ousar mais, pois não tem a necessidade da dança, dos deslocamentos, então são atrações mais sensoriais”, completa.

Partindo dessas crenças, o Kino te convida a conferir de perto – ao vivo e a cores – toda a nossa programação, que rola entre os dias 26 e 27 de abril. Para mais informações sobre o Festival, clique aqui.

terça-feira, 1 de abril de 2014

ORQUESTRA DE UM HOMEM SÓ: CONHEÇA A ORQUESTRA VERMELHA, PROJETO DE MATHEUS LESTON


Propor uma junção entre imagem e som, gerando uma sensação única. Essa é a proposta de Matheus Leston e o seu Orquestra Vermelha, projeto que se apresenta no Kino Beat na noite do sábado. A Orquestra é, na verdade, um quinteto, mas apenas um dos músicos está no palco. Os outros são sombras, exibidas em tamanho real em grandes telas de LED.

Batemos um papo com Matheus, que nos contou como nasceu o projeto, e como funciona o seu processo de composição musical e imagética. “A experiência é de uma banda tradicional, pois parece que os músicos estão no palco (tanto por causa do som quanto da imagem). É música eletrônica, mas não é”, afirma.

Ficou curioso? Chega mais:

Como surgiu a ideia do projeto Orquestra Vermelha?
A Orquestra Vermelha é o desenvolvimento de uma pesquisa que eu já havia começado em um outro projeto, chamado Ré: um show em que eu gravava e sobrepunha uma série de loops de guitarra, baixo e teclado, construindo as bases ao vivo. As melodias eram cantadas por outros músicos que haviam sido gravados e filmados em suas próprias casas, exibidos em duas grandes telas de projeção.

Quais foram as principais inspirações para o projeto?
Puxa, é muito difícil falar em inspirações diretas. Ele é o cruzamento de muitas coisas que tenho visto e pensado há muitos anos, tanto da música como de outras áreas e artes. Talvez eu possa citar como referências conceituais mais claras a geometria e a ocupação do palco do Kraftwerk, tocar na contra luz de maneira similar ao The Mole Show, dos Residents. Talvez a influência estética mais forte seja das artes: o minimalismo americano, Olafur Eliasson, Kurt Hentschlager. Musicalmente a coisa fica impossível de definir. Vai de Massive Attack a King Crimson, de música erudita a free jazz, de Motown ao pós-rock.

O projeto questiona a significância da apresentação ao vivo hoje em dia. Referente a esta discussão, pode-se chegar a alguma conclusão?
Na minha opinião não há uma conclusão, não há uma resposta, pois não acho que haja uma pergunta. A Orquestra Vermelha está bem no meio de uma encruzilhada das relações entre áudio e vídeo, playback e ao vivo, presença e ausência, improvisação e estrutura, luz e sombra, figura e fundo, base e solo. Essas relações nem sempre são harmoniosas. Pelo contrário, algumas são contraditórias e problemáticas. Ao invés de se decidir por um lado ou outro, a Orquestra acaba se tornando uma espécie de paradoxo, tentando ser as duas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo: é ao vivo e é playback. Talvez essa seja a melhor posição para evidenciar essas contradições. Minha única conclusão é que refletir sobre a forma de uma apresentação é cada vez mais importante.

Como funciona o processo de composição musical do projeto?
Assim que saiu o resultado do Programa Rumos (do qual o projeto faz parte) em dezembro de 2012 eu comecei a vasculhar meus HDs e juntar todos os rascunhos e anotações musicais que pude encontrar. Eu tenho grande dificuldade com composição, não consigo iniciar uma música, desenvolvê-la até o final e, em certo ponto, declará-la terminada. Acabo tendo ideias, gravando pequenos fragmentos e abandonando-os, sem nunca fazer nada com eles.

Eu selecionei, editei e trabalhei sobre os fragmentos que achei. No fim desse processo, tinha uma série de loops (e não músicas estruturadas) bastante simples. A partir dai começaram as gravações: apresentava esses loops para um músico, que gravava livremente sobre eles o que achasse melhor. Eu editava essa gravação e apresentava para o próximo músico, e assim por diante.

Depois das gravações dos seis participantes, eu ouvi tudo o que havia sido gravado e editei todo o material. Em muitos casos as músicas haviam se transformado totalmente e já não tinham nada a ver com a base inicial. E com todo o material editado, fiz várias experiências e versões até chegar na estrutura final do show.

E a composição das imagens do projeto, se deu de forma semelhante?
Os vídeos exibidos ao vivo são as imagens reais das gravações. Enquanto os músicos gravavam eles também eram filmados em frente a um fundo branco, na contraluz. Ao editar o áudio eu também editava o vídeo, para manter a sincronia. E com o show estruturado musicalmente, passei a trabalhar as imagens e definir as cores, criar alguns efeitos e programar a iluminação, que também é controlada ao vivo.

Qual a relação entre música e imagem no Orquestra Vermelha?
Eu parto do princípio que audição e visão são totalmente interligadas. Não tenho dúvida de que o som muda a maneira como nós entendemos uma imagem. E o contrário também é verdade: nós ouvimos de maneira diferente de acordo com o que estamos vendo. Por isso eu penso que um show é sempre uma experiência visual, mesmo quando não há efeitos cênicos, vídeos, iluminação. O próprio fato de ver um músico tocando faz com que a gente ouça de maneira diferente.

Na Orquestra Vermelha essa relação é levada ao extremo e posta em primeiro lugar. Os vídeos não são apenas um acompanhamento das músicas, eles são parte integrante do espetáculo.

A música eletrônica abre espaço para o experimentalismo. O que isso acrescenta ao processo criativo e ao resultado final?
A relação entre música eletrônica e instrumentos tradicionais também é uma das possíveis contradições da Orquestra. Não seria errado dizer que é um show eletrônico: estou apenas eu no palco com computadores. Todas as gravações dos outros músicos são samples digitais. Porém a experiência é de uma banda tradicional, pois parece que os músicos estão no palco (tanto por causa do som quanto da imagem). É música eletrônica, mas não é.